Hospício

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Como loucos, parados, vislumbramos uma linha no horizonte.
Sem saber se o futuro chega ou dobra na próxima rua.

Como loucos, acelerados, queremos o mundo hoje.
Sabendo que tanto querer pode acabar com tudo.

Como loucos, desconfiados, não sabemos ao certo quem somos.
E mesmo assim nem nos esforçamos para enxergar o outro.

Como loucos, atrapalhados, seguimos tateando.
A mão, por vezes, o nada encontra.

Como loucos, tarados, buscamos o prazer em tudo.
Mesmo que ele provoque a dor em quem está em mim.

Como loucos, descarados, perdemos a vergonha que emoldura o rosto.
Agimos sem olhar para o lado.

Como loucos, espantados, observamos a vida voar pela janela.
E voamos junto, para não ficarmos sem ela.

Como loucos, emocionados, ainda acreditamos.
Porque só a fé nos salva.

Como loucos: porque a fome mata.
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