Um dia frio

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Senti tristeza. Vi que as pessoas morrem de medo dela. Eu não tenho, às vezes até gosto. A tristeza é carente, precisa de ajuda. Ela chega enfiando o pé na porta, agitada. Ela vem de mansinho, camuflada. Nunca se sabe a hora, forma ou dia. Mas é certo que uma hora ela aparece, mesmo que a gente insista em fugir dela.
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A danada nos acha, não adianta buscar esconderijo. Fico admirada com a falta de educação. Muita gente nem dá bola para a coitada, mal cumprimenta, a educação vai pro beleléu, a boa vontade não consegue entrar por nenhum lugar. Procuro tratar ela bem, fico com pena. Sempre me sensibilizei demais com as pessoas, com a tristeza não seria diferente.
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Já tratei bem quem me fez mal, já maltratei quem me queria bem. Os dias passam, a gente abre os olhos e entende que deve aprender a pedir desculpas, tem que saber perdoar. Não adianta levar rancor no peito, não vale a pena tirar a cor da alma. Acumulando mágoas e somando decepções a gente acaba descolorindo a alma. Gosto muito de cores, quero a minha com vida. Imagino que você também queira. É preciso aprender a relevar, rebolar, deixar pra lá.
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Já fui muito extremista, tudo precisava ser do meu jeito. Só abraçava a coitada da tristeza quando queria. E de vez em quando o que eu queria, na verdade, era algo em troca. Mas mesmo não querendo, acredite em mim, a tristeza sempre nos dá, ensina. Ela até reanima, porque depois que passa deixa um gosto bom. Não que eu sinta falta dela, não sinto. Não quero ela perto de mim, juro. Mas eu sei que a gente precisa aprender a conviver com ela. É mais fácil, melhor assim.
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Em alguns dias dói. A tristeza puxa os cabelos, arranha a cara, machuca dentro. E a gente não tem mais nada pra fazer a não ser dizer que tá tudo bem. Porque vai passar, passa. Só que antes de passar maltrata. E, entenda, a pior dor é aquela que ninguém vê. Só ela, a tristeza.
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